Micro Expressões faciais

As microexpressões representam expressões faciais subtis, inconscientes e impercetíveis, manifestadas na face dos seres humanos, de acordo com as emoções experienciadas. Por norma, têm uma duração entre 1/15 e 1/25 segundos (Ekman, 2003).

facs_image

As microexpressões manifestam-se mesmo quando a pessoa tenta, deliberadamente, não reagir perante um estímulo, ao contrário das expressões normais que podem ser evitadas (Ekman, 1992).

Desta forma, as microexpressões faciais são uma ferramenta para mensurar, indiretamente, os estados emocionais dos consumidores quando são expostos a estímulos de marketing.

ekman
Paul Ekman

Como refere Navarro (2013), “no que diz respeito às emoções, a nossa face é a tela da mente”. Através da observação e mensuração das microexpressões faciais, é possível determinar se uma pessoa está surpreendida, interessada, aborrecida, cansada, ansiosa, frustrada, descontente, satisfeita, preocupada, entre outros.

Segundo Ekman (2003), os agrupamentos musculares que controlam a boca, os lábios, os olhos, o nariz, a testa ou as mandíbulas estão bastante apetrechadas para desencadearem uma in nidade de expressões, estimando-se que os seres humanos são capazes de manifestar cerca de 10.000 expressões faciais diferentes, sendo que algumas são universalmente reconhecidas por qualquer pessoa, como a felicidade, a tristeza, a raiva, o medo ou a vergonha.

Navarro (2013) alerta que o estudo das microexpressões faciais pode assumir-se como uma excelente ferramenta não só para aferir estados emocionais, mas também para ter uma perceção daquilo que a pessoa está a sentir ou a pensar, sendo que a melhor prova dos sentimentos verdadeiros “deriva de comportamentos conjuntos, incluindo indícios faciais e corporais, que fortalecem ou se complementam mutuamente”.

Microexpressões de Valência Positiva e Negativa

Um erro comum na análise de expressões emocionais, é a confusão que se faz entre expressões com valência emocional (positiva ou negativa), sendo que por vezes, de forma errada, é atribuída à expressão emocional, a emoção em si.

Como explica Navarro (2013) os estados emocionais de valência negativa (como o desagrado, a repulsa, o medo ou a raiva) deixam as pessoas sob tensão que alastra por todo o corpo, manifestando-se de diversas formas, por exemplo, na face, os indícios que revelam que a pessoa está tensa são: tensão dos músculos da mandíbula, alargamento das laterais do nariz (dilatação das narinas), semicerramento dos olhos, tremor da boca ou oclusão dos lábios (circunstância em que os lábios parecem desaparecer) (Navarro, 2013). Por muito que um indivíduo negue, se estes indícios se verificarem, não há dúvida de que o seu cérebro está a processar algum estímulo emocionalmente negativo. Isto porque o nosso cérebro consciente, por vezes tentando disfarçar a valência emocional, porém, os sinais (microexpressões) que chegam à superfície da face, manifestam-se de forma crucial para produzir uma imagem precisa de pensamentos, intenções e estados emocionais (Navarro, 2013).

Por exemplo, quando somos convidamos a ir jantar a casa de um amigo/familiar, caso não apreciemos a comida, tendemos a suprimir as expressões de desagrado e a afirmar que a comida está ótima, no entanto, uma avaliação cuidada (ou por vezes automática) das microexpressões faciais irá permitir a deteção do estado de desagrado para com a comida.

Por outro lado, de acordo com Navarro (2013), as emoções positivas refletem-se através do atenuar das rugas da testa, do relaxamento dos músculos em torno da boca, do surgimento dos lábios por inteiro (não ficam comprimidos, nem apertados) e do alargamento da área dos olhos.

Artigo do ICN Agency ©2017

Referências bibliográficas do artigo 

Ekman, P. (1992). Facial expressions of emoton: An old controversy and new fndings. Philosophical Transactions of the Royal Society, 335, 63-69;

Ekman, P., Friesen, W. V. & Ellsworth, P. (1972). Emotion in the human face: Guidelines for research and an integration of ndings. New York: Pergamon Press.

Ekman, P., Levenson, R. W. & Friesen, W. V. (1983). Autonomic nervous system activity distinguishes among emotions. Science, 221,1208-1210;

Ekman, P. (2003). Emotions Revealed. Henry Holt and Co., New York;

Navarro, J. (2013). Verdade ou Mentira? Como Saber o que os Outros Pensam mas Não Dizem. Editora Texto, Setembro de 2013.