Hipótese do Marcador Somático

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António Damásio, neurocientista português, criou e define a hipótese do marcador somático como sendo um mecanismo pelo qual os processos emocionais podem enviesar o comportamento, particularmente, a tomada de decisão.

 

A hipótese do marcador somático propõe uma importante ligação entre emoção,
o sentimento e tomada de decisão.

Assim, um déficit nos mecanismos neuronais das emoções prejudicam a tomada de decisão. Quando tomamos decisões, temos de avaliar o valor das opções disponíveis, usando os processos cognitivos e emocionais. Quando enfrentamos escolhas complexas e potencialmente conflituosas, podemos não ser capazes de decidir usando apenas os processos cognitivos, o que pode tornar-se sobrecarregado e incapaz de nos ajudar a decidir. Nestes casos, os marcadores somáticos assumem-se como preciosos “atalhos” que auxiliam na tomada de decisões.

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António Damásio

Os marcadores somáticos são associações entre estímulos reforçados, que induzem um estado afetivo fisiológico. Dentro do cérebro, os marcadores somáticos, acredita-se que são processados no córtex pré-frontal ventromedial (VMPFC). Quando temos que tomar decisões complexas e rodeadas de incerteza, os marcadores somáticos, criados pelos estímulos relevantes (estímulo emocionalmente competente), são “somados” para produzir um estado somático que influencia a decisão a tomar.

 

Essa influência no processo de tomada de decisão pode ocorrer inconscientemente, através do tronco cerebral e striatum ventral, ou conscientemente, envolvendo um processamento cognitivo cortical superior. Damásio propõe que os marcadores somáticos direcionam a atenção para opções mais vantajosas, simplificando o processo de decisão. A “aquisição” de marcadores somáticos é realizada no córtex pré-frontal (recebe sinais de todas as outras regiões sensitivas nas quais as imagens são formadas, recebe sinais a partir de vários setores biorreguladores do cérebro, representa categorizações das situações em que o organismo tem estado envolvido e tem a capacidade para decidir e raciocinar, porque está diretamente ligado a todas as vias de resposta motora e químicas disponíveis no cérebro).

As emoções são mudanças no corpo e no cérebro
em resposta a diferentes estímulos.

As alterações fisiológicas (por exemplo, a contração muscular, frequência cardíaca, libertação de hormonas, postura, expressão facial, entre outros) ocorrem no corpo e são transmitidas para o cérebro, onde são transformadas numa emoção que transmite algo ao indivíduo sobre o estímulo a qual foi exposto. Com o tempo, as emoções (e as respetivas mudanças corporais) ficam associadas a situações específicas e a determinados resultados passados (memórias).

Os marcadores somáticos funcionam como uma espécie de decisores automáticos com base na antecipação de ganhos/perdas com resgate
no histórico de memórias passadas.

©ICN Agency 2016

Pode ainda encontrar mais no mais recente livro
“Princípios de Neuromarketing: Neurociência Cognitiva Aplicada ao Consumo, Espaços e Design” (Rodrigues et al., 2015) em http://loja.psicosoma.pt/produtos/1367/princpios-de-neuromarketing-neurocincia-cognitiva-aplicada-ao-consumo-espaos-e-design

Captura de ecrã 2015-11-3, às 17.11.42

Referências bibliográficas ©ICN Agency 2016

  1. Bechara, A. & Damásio, A. (2004). The somatic marker hypothesis: A neural theory of economic decision. Games and Economic Behavior, 52, 336-372;
  2. Bechara, A., Damasio, A. R., Damasio, H. & Anderson, S. W.(1994). Insensitivity to future consequences following damage to human prefrontal cortex. Cognition. 50(1– 3):7–15
  3. Bechara, A., Damasio, H., & Damasio, A. R. (2003). Role of the amygdala in decision-making. Annuals of the New York Academy of Sciences, 985, 356-369;
  4. Bechara, A., Damasio, H., Damasio, A. R. & Lee, G. P. (1999). Different Contributions of the Human Amygdala and Ventromedial Prefrontal Cortex to Decision-Making. The Journal of Neuroscience, 19, 13, 5473-5481;