Coca-Cola Zero à luz da neurociência

coca-zeroEm 2005, a Coca-Cola lançou uma extensão do seu produto original, a Coca-Cola Zero (no entanto, só em 2007 é que foi introduzida no mercado português) que é comercializada em mais de 90 países.

O pressuposto da marca seria um aperfeiçoamento da versão Coca-Cola Diet, mantendo o sabor da Coca-Cola original mas com 0% de açúcares. Ao analisar a sua composição, constatase a presença de aspartame, um adoçante dipeptídeo artificial composto, essencialmente, por aminoácidos como o aspartato e a fenilalanina (Magnuson et al., 2007). De uma perspetiva mais concreta, o aspartame é 50% composto por fenilalanina, 40% por ácido aspártico e 10% por metanol (Magnuson et al., 2007).

A introdução do aspartame poderia simplesmente ser uma estratégia utilizada para suprir a a ausência de açúcar, no entanto, a questão é mais profunda e complexa.

Ao analisar quimicamente o aspartame, parte da fenilalanina é degradada em tirosina no fígado através de enzimas de hidroxilase fenilalanina (Humphries, Pretorius & Naudé, 2008) enquanto que a restante porção de fenilalanina agrega-se a um largo transportador de aminoácidos (NAAT) que irá conduzir a fenilalanina sobre a barreira que separa a circulação sanguínea do fluído extracelular cerebral do sistema nervoso central (SNC) (Humphries, Pretorius & Naudé, 2008). A tirosina que é reencaminhada para o cérebro via NAAT é degrada em dihidroxifenilalanina (DOPA) pela enzima hidroxilase tirosina com o auxílio de “co-factores” como o oxigénio, o ferro e a tetrahidrobiopterina (THB) (Humphries, Pretorius & Naudé, 2008). Por sua vez, DOPA sofre uma degradação de descarboxilase, originando a dopamina (Humphries, Pretorius & Naudé, 2008), responsável pelas sensações de prazer e bem-estar.

Através desta análise neuroquímica pode concluir-se que a promessa que a Coca-Cola deixa aos seus consumidores (vender prazer e felicidade) é (quase) cientificamente comprovável.

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Apesar de todas as evidências de produtos neuromodificados, o contexto em que o produto alimentar é apresentado também é um aspeto essencial na perceção do mesmo. Para suportar esta afirmação, Lee, Frederick & Ariely (2006), realizaram uma experiência que produziu resultados interessantes para a questão da modificação de produtos alimentares.

FONTES

Humphries, P.; Pretorius, E.; Naudé, H.; (2008). Direct and indirect cellular effects of aspartame on the brain. European Journal of Clinical Nutricion, 62, 451-462.

Magnuson, B. A.; Burdock, G. A.; Doull, J.; Kroes, R. M.; Marsh, G. M.; Pariza, M.W.; Spencer, P. S.; Waddell, W. J.; Walker, R.; Williams, G. M.; (2007). Aspartame: A Safety Evaluation Based on Current Use Levels, Regulations, and Toxicological and Epidemiological Studies; Critical Reviews in Toxicology, 37:629–727.

Rodrigues et al (2015). Princípios de Neuromarketing. Neurociência Aplicada ao Consumo, Espaços e Design. PsicoSoma.

 

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